Inteligência emocional no trabalho

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A abertura dos mercados e o nível de exigência em cumprir objetivos e atingir resultados, numa sociedade de consumo a pressão é enorme e os níveis de instabilidade e insegurança são uma constante. Fala-se em crise financeira, mas também crise de valores, quase um estado de falência iminente. E o que fazer, como atuar?

Os paradigmas estão a mudar a uma velocidade veloz e nem sempre fácil de acompanhar. Percebe-se que perante o caos temos de ser mais humanos, desenvolver valores mais nobres de cooperação, integridade e união. Religar as pessoas entre si.

E o que têm as pessoas em comum? Independente dos talentos, histórias, as emoções fazem parte de cada indivíduo. Todos temos em nós todas as emoções e capacidade de sentir. O conceito “inteligência emocional” é relativamente recente, só nos finais do séc. XX surge pela primeira vez referência a este termo, por Wayne Payne (1985) na sua tese de doutoramento. É na década de 90 que este tema cria algum impacto, sendo desenvolvido por vários autores, tendo-se destacado Daniel Goleman (1995) com o livro “Inteligência Emocional”.

E é aqui que se detém a importância de aprofundar este lado mais subjetivo do ser humano, as emoções. Do latim emovere, significa em movimento. São pois estados em movimento que revelam temperamento, motivação e personalidade.

E a ciência explica como são gerados esses estados no cérebro humano catalogando as emoções como intuitivas e cognitivas. As que provém do sistema límbico, da amígdala, situada no pólo temporal do hemisfério cerebral, as intuitivas, que como indica estão relacionadas com o instinto, com um sentir mais abstrato. Já as cognitivas provém do córtex pré-frontal, aqui funciona os pensamentos complexos, as tomadas de decisão, expressão da personalidade e comportamento social. Aqui expressa-se o resultado dos pensamentos e ações de acordo com as metas internas.

E o homem como ser social interdependente das dinâmicas relacionais para a sua evolução e integração, o conhecer-se, o lidar com as suas emoções, o usá-las para se motivar para se relacionar com os demais representa um dos grandes pilares para o equilíbrio e sucesso.

Quantos de nós já nos deparámos com um profissional de saúde que pelo que facto de ser frio, distante e rude o catalogámos logo de incompetente, pouco humano ou mau profissional? Há um lado afectivo que une as pessoas, precisamos de sentir empatia, que nos compreendam, sentir que há uma compreensão pela minha necessidade, que a ligação aconteça.

A inteligência emocional traz uma nova linguagem, que não é nova, por ser intrínseca ao ser humano, apenas a destaca como uma linguagem a ter em atenção, uma ferramenta a ser usada com consciência, alerta-nos para olharmos para a nossa capacidade de sentir, de reconhecer os nossos sentimentos e o dos outros e lidar com eles.

Só reconheço fora o que tenho dentro, pelo que é imperativo entrar em contacto com as emoções que tenho dentro, aceitá-las e transformá-las para que sejam aliadas. Dessa forma vou estar mais apta a reconhecê-las nos outros e a aceitá-las, sem as condenar nem rejeitar através da crítica e julgamento e transformar os relacionamentos.

As necessidades que permeiam o ser humano estão relacionadas com segurança/ estabilidade, variedade, reconhecimento e amor / conexão. Sempre que estas necessidades estejam suprimidas ou em perigo o ser humano reage com emoções intuitivas ou cognitivas. Vai procurar sempre preencher as suas necessidades e as emoções são os alertas, os dispositivos que mostram como está. E a partir daqui pode trabalhar consigo no sentido de transmitir novas informações ao cérebro para gerir as emoções e transformá-las. Nós não somos o que pensamos e sentimos, são estados que ocorrem, que passam por nós.

Esse autoconhecimento das emoções permite que possamos habilmente potenciar o melhor nos outros que nos rodeiam, nas dinâmicas de trabalho e mantê-los motivados. Se tenho um colega de trabalho nervoso com o prazo de entrega de um trabalho e que começa a dizer que não vai conseguir cumprir e está irritado, que tudo está a correr mal e que se expressa com tom de voz elevado, posso simplesmente afastar-me e não participar do drama dele ou entrar em empatia com ele, mostrando apoio e suporte nesta situação, dando-lhe a segurança e estabilidade que precisa e reconhecendo o valor dele que tudo vai correr bem e que juntos vamos conseguir. Se o foco no estado emocional estiver muito forte e persistente, poderei também desviá-lo desse tema para que possa relaxar e acalmar-se, seja com uma brincadeira, um intervalo para um café. Podem ser várias as estratégias conforme a situação presente, a capacidade de entrar em empatia será diretamente proporcional à capacidade que tenho em me identificar com o outro, em ser capaz de “vestir a sua pele”, ser compreensiva e compassiva.

O novo paradigma no trabalho está orientado e relacionado para a relação entre as pessoas, como se valoriza e capacita o capital humano das empresas para que cada um se sinta com a “obrigação gratuita” de dar o seu melhor para um propósito comum. Empatia tem tudo a ver com conexão, as pessoas precisam de se sentir ligadas, unidas e que estão a contribuir para um propósito maior e comum, que o seu valor seja reconhecido, que sintam estabilidade, variedade e amor.

Texto: Região Sul